segunda-feira, 22 de abril de 2019

CANAIS, SITES, BLOGS SOBRE CANGAÇO



(Robério Santos - 79 99969-5819)
Canal Odisseia Cangaço: https://www.youtube.com/channel/UCjNpQNuLimP32pQJ_f0283g/videos (Thiago Menezes)
Blog Cariri Cangaço https://cariricangaco.blogspot.com
Blog de João Sousa Lima http://www.joaodesousalima.blogspot.com
Blog Lampião Aceso http://lampiaoaceso.blogspot.com
Site Lentes de Benjamin Abrahão http://brasilianafotografica.bn.br/?p=9527
Site Tok de História https://tokdehistoria.com.br

VÍDEOS
1920 https://www.youtube.com/watch?v=CEGA9VsNu78 Lampião e os Nazarenos - Parte 2.
1927 https://www.youtube.com/watch?v=dQaha7poED4 Lampião em Limoeiro do Norte (entrevista). 15 de junho de 1927.

1928 https://www.youtube.com/watch?v=EM6KtIoPlSQ Visita a Fazenda Piçarra, palco de batalha de Lampião no Ceará. Antônio da Piçarra.

1929 https://www.youtube.com/watch?time_continue=3&v=B7H5RT1NFCo Memórias da PMBA - Massacre de Queimadas.
1930 https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=JC4NOUcuP_o  Neco de Pautilha e Luiz de Cazuza.
1930 https://www.youtube.com/watch?v=wsTCQ7LOeds Feminino Cangaço (2013), documentário. Excelente.
1930 https://www.youtube.com/watch?v=w1t4q4FGE3o A Musa do Cangaço (Parte 2).
1937 https://www.youtube.com/watch?v=0XI_sxGev44 Coronel João Bezerra - Comandante da Volante. Gato. 27 min.
1937 https://www.youtube.com/watch?v=r9lQa4XGGoo Gato. CHIQUINHO RODRIGUES Parte 1
1937 https://www.youtube.com/watch?v=NsmvnogGuN8 Gato. CHIQUINHO RODRIGUES parte 2
1938 https://www.youtube.com/watch?v=wxKHA8JH8rY Sila. Morte de Neném, revolta de Luís Pedro - Combate em Angico.
1938 https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=ybxCMU0MC4c A ilusão do cangaço. Coletânea de depoimentos de ex-cangaceiros.
1938 https://www.youtube.com/watch?time_continue=3&v=odeIANL68Dg O último dia de Lampião. Documentário da Rede Globo (1975).
1938 https://www.youtube.com/watch?v=hugt_kwL37g Angico - Antônio Amaury.
https://www.youtube.com/watch?v=ZF6wgJJ-5SM Arquivo Globo News. História de Lampião. 2003.
https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=QTZDT44V8q4      Documentário: Cangaço, Sangue e Glória: Conflitos e contradições. Personagens, especialistas e escritores. Dr. Juraci.
https://www.youtube.com/watch?v=RQRbcI4Kauc Documentário "A Estética do Cangaço". Frederico Pernambucano. Tempo: 29 min.
https://www.youtube.com/watch?v=t4xBzW7lT5g Lampião - O homem, o cangaceiro, o mito. Palestra de Manoel Severo, em 2018.
https://www.youtube.com/watch?v=qT9OIlxNd4A Memória do Cangaço. Zé Rufino (1964). A partir de 10 minutos.

https://www.youtube.com/watch?v=6dZU5zz283A Violência oficializada

https://www.youtube.com/watch?v=GyU57ik6KiQ Vinte e Cinco fala das barracas, vestimentas e do capitão no bando.

https://www.youtube.com/watch?v=lVTexd1P-aM Ângelo Osmiro - Biblioteca.

https://www.youtube.com/watch?v=Ps2hC_tNA1o&t=19s Relação Padre Cícero & Lampião. Globo.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=rUHaXHiUw5Y Virgulino e Cícero: amizade? Luitgarde Oliveira.

FILMES
https://www.youtube.com/watch?v=t-59CUmnDgM Corisco, o diabo loiro (1969).
https://www.youtube.com/watch?v=0leCavDFqQc Lampião e Maria Bonita (1982).
https://www.youtube.com/watch?v=CztMvro-1nI Filme de Anildomá Willans de Souza. Fundação Cultural Cabras de Lampião.

Andanças e teimosias




lá pela década de 90 do século passado, no caminho entre minha casa e a instituição onde eu trabalhava, via todas as tardes um rapaz bonito sentado numa calçada, em sua cadeira de rodas, sob uma placa onde se lia: AULAS DE MAtEMÁTICA. A curiosidade falou mais alto e um dia parei diante do cara e perguntei quem era o professor. Era o próprio. Para meu alívio, meus filhos passaram a ter aulas de reforço com Hélio de Araújo. Para eles um salto qualitativo. Para mim, o início de uma amizade que se estendeu a meu marido, que já conhecia o pai dele.
Com o tempo o professor decidiu ser escritor. Em 1999, publicou o livro “Andanças” relatando sua história a partir do acidente de moto que o deixou tetraplégico. Dois anos depois, editou “O Quarteto”, narrando as aventuras de um cego, um cadeirante, uma surda e uma professora sem deficiência visível. O terceiro foi “História de Luta das Pessoas com Deficiência em Petrolina” (2015), um documentário apresentando o combate ao assistencialismo e a discriminação naquela comunidade.
Retomando o estilo romance, lançou “O anoitecer de Aurora” (2017), contando a trajetória de uma sertaneja, enfatizando as dificuldades para sobreviver na área de sequeiro e os desafios enfrentados para criar catorze filhos, num tempo de grandes transformações físicas e sociais no semiárido.
Agora presenteia seus leitores com “Canudos de Antônio Conselheiro” que trata da guerra entre seguidores de um líder religioso e os combatentes do governo republicano, no fim do século XIX. Essa importante obra consolida Hélio como um escritor que consegue dar leveza a episódios sangrentos, articulando história e literatura, despertando o prazer de ler.

Antonia Lúcia Lima
Professora de Linguística e Literatura

  
Hélio de Araújo nasceu em 25/10/1962, é tetraplégico, casado, tem três filhos. Professor da Rede Municipal de Petrolina-PE. Iniciou sua docência em 1991, ministrando aulas particulares. Lecionou na Escola Estadual Pacífico da luz e Escola Municipal Eliete Araújo. É especialista em Atendimento Educacional Especializado (UFC) e em Programação de Ensino da Matemática (UPE). Recebeu a Comenda de Honra ao Mérito Educacional, na Câmara Municipal de Petrolina, em 20/10/05.
Escreveu cordéis e crônicas. Esteve em eventos como: 1ª Estação Literária Ubuntu de Juazeiro (2009), 8ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco (2011), Congresso Regional sobre o Cordel (Concordel) (2011), I Feira de Livros do Vale do São Francisco (2014), Encontro do Dia Nacional do Escritor em Petrolina (2017), Congresso Internacional do Livro, Leitura e Literatura no Sertão - Clisertão (2018), Festival de Literatura do Sertão do São Francisco - FliSertão (2018). Participou de oficinas de crônicas. Esteve na entrega do “Prêmio Sentidos 3ª edição - 2010”, em São Paulo-SP, como um dos três classificados na categoria Literatura, concorrendo com os livros “Andanças” e “O Quarteto”. Concedeu entrevistas para televisão, rádio, jornal, revista e blog. Ministra palestras e minicursos abordando a temática da diversidade.
Ativista na área da inclusão social, foi cofundador do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Petrolina, membro do Conselho Municipal de Educação, Conselho Municipal de Assistência Social, Conselho Municipal do Fundeb, Conselho Universitário da Univasf (representante da comunidade externa), Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Pernambuco, Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência (FCD) e Rede Brasileira do Movimento de Vida Independente (Rede MVI-Brasil).

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Lançado o livro “Canudos de Antônio Conselheiro”





O professor Hélio de Araújo lançou, no dia 18 de dezembro, o livro “Canudos de Antônio Conselheiro”. A noite de autógrafos, na Biblioteca do Sesc Petrolina, contou com a apresentação musical da pedagoga Josenice Barbosa e da Camerata Matingueiros, composta por Anderson Matheus (Violino), João Lourenço  (Violão) e Larissa Araújo (Violino). Houve declamação de poesia com o poeta Aroldo Leão, que prefaciou o livro, e com a poetisa Graciele Castro, que produziu o folheto “A Peleja da Inclusão”. Hélio e demais participantes foram apresentados pelo jornalista e escritor Jota Meneses.
A obra, de 116 páginas, relata a Guerra de Canudos, confronto armado ocorrido no sertão da Bahia, que colocou em lados opostos, tropas federais e seguidores de Antônio Conselheiro. O quinto livro do autor, de 56 anos, foi produzido na Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), em Recife, com o patrocínio do Colégio Recanto, Curso Meta, Projetar Irrigação e Mercadinho Líder.
Entre as pessoas presentes estavam os poetas Junior Leite, Fabrício Nascimento, Antônio Damião, Pedro Silveira, Sidroniosa Pinheiro, além de Celina Ferro, autora do livro "De Capacaça a Bom Conselho" e Antonise Coelho, autora do livro “Enredos de uma Travessia: a Ilha do Massangano no Vale do São Francisco”.
O evento de lançamento teve o apoio do Sesc, da Solar BR, Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo.

Histórico de Hélio de Araújo

Hélio de Araújo nasceu em 25/10/1962, é tetraplégico, casado, tem três filhos. Professor da Rede Municipal de Petrolina-PE. Iniciou sua docência em 1991, ministrando aulas particulares. Lecionou na Escola Estadual Pacífico da luz e Escola Municipal Eliete Araújo. É especialista em Atendimento Educacional Especializado (UFC) e em Programação de Ensino da Matemática (UPE). Recebeu a Comenda de Honra ao Mérito Educacional, na Câmara Municipal de Petrolina, em 20/10/05.
Escreveu cordéis e crônicas. Editou, durante quatro anos, o periódico “Veredas”. É autor dos livros “Andanças” (1999), “O Quarteto” (2001), “História de Luta das Pessoas com Deficiência em Petrolina” (2015) e "O Anoitecer de Aurora" (2017). Esteve em eventos como: 1ª Estação Literária Ubuntu de Juazeiro (2009), 8ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco (2011), Congresso Regional sobre o Cordel (Concordel) (2011), I Feira de Livros do Vale do São Francisco (2014), Encontro do Dia Nacional do Escritor em Petrolina (2017), Congresso Internacional do Livro, Leitura e Literatura no Sertão - Clisertão (2018), Festival de Literatura do Sertão do São Francisco - FliSertão (2018). Participou de oficinas de crônicas. Esteve na entrega do “Prêmio Sentidos 3ª edição - 2010”, em São Paulo-SP, como um dos três classificados na categoria Literatura, concorrendo com os livros “Andanças” e “O Quarteto”. Concedeu entrevistas para televisão, rádio, jornal, revista e blog. Ministra palestras e minicursos abordando a temática da diversidade.
Ativista na área da inclusão social, foi cofundador do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Petrolina, membro do Conselho Municipal de Educação, Conselho Municipal de Assistência Social, Conselho Municipal do Fundeb, Conselho Universitário da Univasf (representante da comunidade externa), Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Pernambuco, Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência (FCD) e Rede Brasileira do Movimento de Vida Independente (Rede MVI-Brasil).

Livros de Hélio de Araújo

Hélio de Araújo publicou seu primeiro livro, “Andanças”, em 1999, relatando sua história a partir do acidente de moto que o deixou tetraplégico, quando conduzia uma moto alcoolizado. Neste envolvente depoimento literário o autor aborda o tratamento de reabilitação, saída do isolamento social, entrada na universidade, conquista do emprego, casamento e filhos, tudo intercalado por episódios engraçados.
Enveredando pelo caminho da ficção, em 2001, editou “O Quarteto”, narrando, de forma leve e bem-humorada, as aventuras de um cego, um cadeirante, uma surda e uma professora sem deficiência visível, em viagem pelo Sertão, enfrentando longas estradas asfaltadas, caminhos de terra e trechos de hidrovia pelo Rio São Francisco.
História de Luta das Pessoas com Deficiência em Petrolina” foi sua terceira experiência. Lançado em 2015, o documentário apresenta a trajetória histórica de transformação da comunidade do Vale do São Francisco, tendo como foco principal a luta das pessoas com deficiência, iniciada em 1980, combatendo o assistencialismo, a superproteção e a discriminação, marchando para um novo repensar, para o reconhecimento de tais pessoas como seres humanos, iguais a quaisquer outros. A obra enfatiza que as pessoas com deficiência física, intelectual ou sensorial não deixaram de buscar estudo, trabalho, lazer, de contribuir com a sociedade e exigir seus direitos ou de cumprir com as suas obrigações, de modo que se fazem merecedoras de um tratamento digno e igualitário.
Retomando o estilo romance, lançou “O anoitecer de Aurora” (2017), contando a trajetória de uma sertaneja, enfatizando as dificuldades para sobreviver na área de sequeiro e os desafios enfrentados para criar catorze filhos, num tempo de grandes transformações físicas e sociais na área rural do semiárido nordestino. O livro mostra o cotidiano dos sertanejos, tipos de moradia, meios de transporte, fauna, atividades e produtos agrícolas, modos de conservação dos alimentos, hábitos, religiosidade, festas, estratégias de sobrevivência, a figura da rezadeira e situações hilárias. O aspecto econômico é abordado quando Aurora migra para o Paraná e experimenta o trabalho na lavoura do café. A obra revela ainda o perfil de uma mulher amorosa, lutadora, de caráter ilibado, que zelou por todos os familiares, que soube ser firme diante das adversidades e vencer os obstáculos que iam surgindo.
Em dezembro de 2018, publicou “Canudos de Antônio Conselheiro” que trata da guerra entre seguidores de um líder religioso e os combatentes do governo republicano, no fim do século XIX.

sábado, 17 de novembro de 2018

domingo, 14 de outubro de 2018

Hélio de Araújo: Registros fotográficos

Hélio de Araújo é professor da Rede Municipal de Petrolina-PE, autor dos livros “Andanças” (1999), “O Quarteto” (2001), “História de Luta das Pessoas com Deficiência em Petrolina” (2015) e "O Anoitecer de Aurora" (2017). Ministra palestras e minicursos abordando a temática da diversidade.
  
                                Registros fotográficos

Recife - Pernambuco
 João Pessoa - Paraíba
 Fortaleza - Ceará
 Currais Novos - Rio Grande do Norte
 São Paulo - São Paulo
 Santana do Ipanema - Alagoas
 São Raimundo Nonato - Piauí

 Aracaju - Sergipe

Petrolina-PE - 2017
 Afrânio - PE
  Dormentes - PE
  Flores - PE
  Ingazeira - PE
  Garanhuns - PE
  Santa Maria da Boa Vista - PE
   - PE
  Salgueiro - PE
  Ouricuri - PE
  Cabrobó - PE
  Trindade - PE
   Vitória do Santo Antão- PE

Na Bahia
 Salvador



 Bom Jesus da Lapa - Bahia





 Canudos - Bahia



domingo, 7 de outubro de 2018

Curral Queimado: Subsídios para a história de Petrolina


 

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Curral Queimado:
Subsídios para a história de Petrolina

Pesquisa elaborada pelos professores:
Hélio de Araújo
Maria Auxiliadora de Souza
Raimunda Dias de Araújo.

Petrolina-PE, janeiro de 2018.
  
O COMEÇO
A comunidade de Curral Queimado fica na área de sequeiro, à 35 quilômetros da sede do município de Petrolina, no sertão pernambucano. Os primeiros moradores foram o casal João José de Araújo Sobrinho - Janjão (1888-1977) e Maria Francisca de Araújo e seus filhos. Eles chegaram em 1936, vindos do Riacho do Sobrado, Casa Nova-BA. Janjão ao desembarcar na terra vizinha, fez a primeira casa e o primeiro tanque de armazenamento de água. As telhas foram transportadas de jumentos do Riacho do Sobrado.
Em 1947, o casal Manoel Francisco de Araújo (Cansadinho) e Maria Dias Pereira, também partiu com oito dos seus dez filhos, do Riacho do Sobrado, em busca de melhoria de vida. Estavam juntos os genros Manoel Francisco de Souza (Mané Chico) e Manoel Bernardo (Indé), esposos de Elisa e Eliosina, respectivamente, e três netos. No ano seguinte, veio o filho Dedé e a esposa Alzira, somando-se quatro novas residências. Lá, ficou apenas a filha Justina, a mais velha.
Cansadinho e sua família se fixaram perto de um morro que tinha uma enorme fenda, onde onças se abrigavam em tempos passados. Eles denominaram de Furna Grande. Acreditavam que encontrariam meios para a sobrevivência, devido à existência de terra boa para lavoura e muito espaço para a criação de animais.
Assim que se estabeleceram, trabalharam de sol-a-sol, enfrentando todos os obstáculos, sem medirem esforços, na expectativa de dias melhores. Um trabalho exausto, mas o desejo de mudança era muito forte.
Sentiram a necessidade de melhorar o lugar e analisaram quais providências poderiam garantir a água, elemento indispensável à vida. Com coragem, planejamento e experiência de homens acostumados a viver no semiárido, procuraram o local mais favorável para armazenar o líquido precioso e encontraram uma vereda com solo impermeável. Decidiram que ali seria o local ideal para a construção do reservatório e, com disposição para solucionar o problema, Cansadinho e seus filhos começaram a escavação. Todo o material retirado foi carregado em uma padiola improvisada e aproveitado na formação da parede que represaria a água que passaria por ali. Depois de pronto, o barreiro representou um grande avanço na vida daquelas pessoas. A água era meio barrenta, mas matava a sede de gente e animais e servia para uso doméstico.
Pertinho de lá (Lagoa do Angico), moravam os casais Francisco João de Araújo e Bela e Zé Baixinho e Santinha. Mais adiante residiam os casais Francisco José de Araújo (Chico Velho) e Aurora, Francisco de Araújo (Chico Onça) e Porcina e Janjão e Francisca. Bem perto (Lagoa do Pé da Serra), habitavam os casais Antônio Francisco de Araújo (Toinho) e Isabel e Canuto e Amélia. Cada família era formada por um grande número de filhos.

CONVIVÊNCIA COM A SECA
Os moradores viviam da agricultura e pecuária. Plantavam milho, feijão, mandioca, melancia e abóbora. Tinham pequenos rebanhos de ovinos, caprinos e bovinos que ajudavam no sustento da família. Criavam galinhas que rendiam alguns lucros com a venda dos ovos. O gado era mantido nos currais do final da tarde até o início da manhã e solto depois das vacas ordenhadas. A partir da liberação, não havia mais a necessidade de cuidador, pois a prática comum era ficarem soltos no mato. As famílias garantiam leite durante o ano todo, mantendo sempre uma vaca bem alimentada por farelo, separando ela do bezerro no final das tardes, ordenhando-a pela manhã, e liberando-a para o bezerro mamar o resto do leite.
Os porcos eram mantidos em chiqueiros para engorda, onde eram alimentados com milho até estarem prontos para o abate. Depois, todo o toucinho era apurado, transformado em óleo, armazenado em garrafas e usado na comida durante meses. O mesmo procedimento acontecia com a carne, que cozinhavam e deixavam desidratar no óleo, ficando assim conservado para servir de mistura.

O Curral Queimado passou a receber visitas de políticos como Simão Amorim Durando, Marcos Maciel e Honório Rocha. A casa de Cansadinho era o local de encontro desses políticos que questionavam sobre as carências e necessidades mais urgentes da localidade e discutiam o que fazer para melhorar as condições de vida dos moradores. Em determinada visita, o deputado Nilo Coelho se encontrava na residência de Cansadinho e uma das suas noras encontrava-se com forte depressão nervosa, sem ânimo para cuidar do lar e dos filhos. Diante da preocupante situação, Cansadinho pediu que, excepcionalmente, o médico Nilo Coelho consultasse a doente e a solicitação foi prontamente atendida.
Esses políticos começaram a trabalhar pelo desenvolvimento da localidade, construindo um poço artesiano que produzia água salgada, útil apenas para matar a sede dos animais. Entretanto, muitas vezes, as pessoas recorriam a um meio simples para melhorar o sabor, misturando água salgada do poço com a do barreiro, ficando clara, boa para cozinhar, principalmente o feijão, que ficava com aparência de novo. As autoridades construíram um barreiro maior, com capacidade de armazenar bastante água, servindo a todos das redondezas. Apesar dessas providências, o problema de abastecimento não foi totalmente solucionado, pois quando o inverno era fraco não enchia o barreiro e as pessoas ficavam dependendo da boa vontade dos políticos para serem beneficiados com carro pipa.
Em casos de longa seca, a água era carregada em barril, no lombo de jumentos, de Terra Nova, distante oito quilômetros. As roupas eram lavadas, semanalmente, nesse local. As mulheres saiam de madrugada, montadas em jumentos, levando trouxas de roupas. O mais temido nesses deslocamentos era a possibilidade de cruzarem, no caminho, com a onça vermelha que diziam existir por lá.
Em 1951, a estiagem prolongada estimulou a migração de membros da família da moradora Aurora para o Sul, onde já morava um dos seus irmãos, Manoel Pedro, trabalhando como cuidador de animais de uma fazenda. Marcada pela condição de pobreza, aquela família necessitava de iniciativas que resultassem em melhoria da qualidade de vida e o estado do Paraná realizava um movimento de expansão agrícola. Inicialmente, viajaram os filhos Elena e João, acompanhados de Augusto, Colotário, Pereira e mais cinco pessoas.
Após a volta do Paraná, Elena e Augusto permaneceram em Curral Queimado vivendo da lavoura e da criação de ovinos e caprinos. No final da década de 1950, ele juntava sua pequena produção, comprava galinha, ovo, umbu, mamona, caroá, farinha, beiju, tapioca, queijo, requeijão, carne de bode, couro e pele, e saia semanalmente, ao anoitecer dos dias de domingo, para vender essas mercadorias nas manhãs do dia seguinte, na feira de Petrolina. Alguns desses produtos eram vendidos no armazém do senhor Quelê e na Exportadora Coelho.
O cuidado com a criação que ajudava na renda familiar, na alimentação, fornecendo leite, carne e pele e, a venda da sobra da pequena produção na cidade, era feita por muitos lavradores. Eles transportavam toda essa mercadoria no lombo de jumentos. Um trabalho pesado, mas necessário pela busca da sobrevivência. Para superar as dificuldades da longa distância, havia uma parada de descanso na metade do caminho. Os camponeses escolhiam um lugar adequado, botavam as cargas abaixo e dormiam ao relento. Na madrugada, arrumavam tudo novamente e seguiam para o centro da cidade, onde comerciantes adquiriam toda a mercadoria. Terminando as vendas, faziam suas compras e retornavam.
Dedé, por ser dono de bodega e ter a obrigação de mantê-la abastecida, exerceu essa tarefa, semanalmente, durante anos. Um dos seus companheiros de viagem foi seu cunhado, Chico.
Chico, Augusto e vários outros resolveram morar definitivamente na sede de Petrolina e instalaram bodegas. Boa parte das mercadorias era fornecida pelo armazém do senhor Virgílio Nogueira, situado à Rua Dom Vital. Os parentes João Deon, Zé Marciano, Gangarim, Chico Onça, Canuto, Anjinho, também aderiram ao mesmo ramo de comércio. Canuto, além das mercadorias comum à toda bodega, vendia tecidos e roupas. Essas novas atividades possibilitaram que Augusto comprasse uma motocicleta Vespa, iniciativa seguida pelos demais bodegueiros. Muitos deles, posteriormente, adquiriram automóveis.

EDUCAÇÃO
A vida era difícil para as crianças da zona rural. Faltava escola e, até mesmo, incentivo dos pais. A preocupação maior da família era pela sobrevivência e os pequeninos, logo cedo, tinham o compromisso de ajudar os pais nos afazeres diários, cuidado dos animais, da lavoura e tudo que fosse necessário. Existia, numa localidade distante chamada Veredinha, o professor Pedrinho, que era leigo e sabia apenas ler, escrever e contar. Ele, inicialmente, recebeu lá, em sua residência, alguns alunos e, posteriormente, deslocava-se de lá, de jumento e ministrava aulas numa casa de farinha, que ele chamava de Escola Itinerante Veredinha. Cada auno matriculado recebia cópia do alfabeto e dos algarismos, com o compromisso de memorizá-los. Depois, passavam um período cobrindo letras e números que recebiam pontilhadas em papel. Escreviam com uma pena que a todo instante secava e era reabastecida no tinteiro.
Quando o estudante mostrava segurança na leitura e escrita das sílabas e dos números, recebia a tabuada e a cartilha do ABC. O alunado do mestre Pedrinho estudava cantando. Depois do reconhecimento de algumas palavras, de um pouco de soma e multiplicação, os discentes treinavam a leitura e escrita, copiando e fazendo todos os dias, a leitura de um texto. Um deles foi o cordel O Trabalho.

As abelhas fazem o mel
É indústria, antiga
O cão é guarda fiel
Cortam folhas, as formigas.
Até mesmo os animais
Passam os dias trabalhando
Os burros entre os varais
Os bois, carros, puxando.

Ao passarem para o primeiro livro, todos os dias estudavam uma lição, um texto onde seriam avaliados. Uma série era considerada concluída quando esgotadas todas as leituras do livro. As demais séries se davam da mesma forma. Cada aluno possuía um pequeno quadro de pedra do tamanho de uma folha de ofício. Fazendo uso de uma pedra lapidada no formato de um lápis, era possível escrever e ficar gravado. Essa técnica era utilizada nas tarefas de matemática. Um dia da semana era reservado para o “Argumento”, momento pelo qual, o estudante depois de estudar e decorar a tabuada, submetia-se a uma avaliação oral. Era o dia mais temido por todos. Em pequenos grupos, de pé, posicionados na frente do professor, os discentes tinham que responder corretamente as perguntas que ele fazia. Se errassem, eram punidos pelo educador que usando a palmatória, dava batidas fortes na mão. Muitas vezes, determinava que o próprio colega aplicasse o castigo, fato que causava revolta. Eventualmente, essas palmatoradas eram descontadas em netos do docente que moravam por perto e eram seus alunos. E o pior é que essa garotada já era bem prejudicada, pois o professor usava sua autoridade de avô para puni-los mais do que os demais pupilos.
Com o desenvolvimento contínuo daquela comunidade rural, em 1958 construíram o prédio da igreja católica. Na verdade, era um salão capela. A partir de 1962, o espaço religioso passou a servir também de sala de aula, com o altar separado por uma cortina. A primeira professora, Celita Brito, lecionou por muito tempo e foi, posteriormente, substituída por sua prima, Socorro Brito. Ambas eram leigas.
Logo após a inauguração da Emissora Rural, em outubro de 1962, a localidade passou a ter a escola radiofônica, que eram aulas transmitidas pelo rádio, administrada por uma pessoa que orientava os alunos. Esse foi o primeiro rádio que tiveram acesso. O equipamento tornou-se grande atração, despertando o interesse de todos. O senhor Cansadinho, encomendou, por intermédio do senhor José Coelho, três rádios, que veio de São Paulo. Um ficou ele e os outros com dois filhos.
A área passou a ser distrito em 1963. No ano seguinte, foi construída, na localidade, uma unidade educacional intitulada Escola Curral Queimado. A primeira professora formada a ministrar aulas foi Helena Hilda de Araújo, que permaneceu atuando por dois anos e em 1967, foi substituída pela irmã, Eliete Araújo.
A professora Helena, ao transferir-se para a sede de Petrolina, sugeriu que a sua aluna, Maria Auxiliadora de Souza, assumisse o cargo de professora. Maria Wilza, diretora da Gerência Regional de Educação (GRE), na época, aprovou a indicação, e aconselhou a jovem a concluir seus estudos, formando-se no curso de Magistério. Com muita determinação e coragem, Auxiliadora lecionou por alguns anos no Curral Queimado, depois fixou-se na sede onde estudou, venceu as dificuldades  e realizou seus sonhos, formando-se professora. Seu comportamento exemplar serviu de incentivo para outras camponesas, inclusive uma tia e irmãs.
Auxiliadora tinha uma família numerosa de doze irmãos que passava por dificuldades. Para ajudar, arrumou um emprego na Empresa Somassa onde trabalhou por alguns anos até concluir os estudos. Com o diploma em mãos, procurou a diretora da GRE e foi encaminhada para lecionar na Escola Estadual Clementino Coelho. Como já lecionava na Escola Curral Queimado decidiu assumir as turmas nas duas unidades educativas. Uma jornada de trabalho cansativa, mas que foi enfrentada com responsabilidade, coragem, amor à profissão e compromisso, durante o ano todo. Em todas as manhãs, Auxiliadora assumia a sala de aula da Escola Clementino, às sete e meia e largava às onze e meia. Em seguida, pegava um ônibus, viajava durante meia hora, descia na beira da estrada, onde seu pai todos os dias a esperava. De lá, os dois percorriam, de lambreta, os seis quilômetros que separam a escola rural da rodovia. Terminada a aula, Auxiliadora retomava para a sede de Petrolina, onde dormia para recomeçar tudo no dia seguinte. A professora trabalhou na Escola Clementino Coelho desde a sua fundação, em 1977, até a data da sua aposentadoria. Suas irmãs mais novas, todas concluíram os estudos em Petrolina.
Maria Auxiliadora de Souza e Raimunda Dias de Araújo são exemplos de camponesas que iniciaram como alunas do professor Pedrinho, depois foram alunas da escola e quando adultas, retornaram como professoras.
Nos intervalos das aulas da escola da zona rural a merenda servida era leite, mingau, passas, paçoca.

SAÚDE e TRANSPORTE
Quem cuidava da saúde era a pessoa mais esclarecida do lugar, que indicava remédios. Uma criança com gripe, verme ou feridas pelo corpo, era forte candidata a receber aplicação de injeção. O aparelho de metal era guardado numa caixinha, juntamente com o recipiente onde o álcool fervia a água que esterilizava o aplicador. Quem quebrava um braço ou perna, tinha o osso recolocado no lugar e imobilizado com casca de angico amarrado com correias de couro para regenerar. Esse procedimento até que funcionava. O problema era quando tratava-se de criança, pois, geralmente, eram apelidadas de acordo com o nome de tiras. Uma delas que teve o braço “angicado” era chamada pelos colegas de “relógio de três pulseiras”. Nos casos de mordida de cobra venenosa, as pessoas recorriam à curadores, que diziam que tinham sidos picados e não ficaram doentes.
O maior desafio de morar na zona rural era superar as dificuldades de transporte. Houve casos de emergência em que pessoas se deslocaram à pé, praticamente correndo, em busca de ajuda para socorrer doentes.
Por muitas décadas o transporte de pessoas e mercadorias era feito de jumento ou cavalo, e depois, substituído por carroça, bicicleta e lambreta. Com a necessidade do transporte, surgiram os primeiros veículos de linha. As primeiras pessoas a trabalharem nesse ramo foram João Nego com camionete, Monteiro, com caminhão, Dedé com veículo pequeno e Pedrinho com caminhão, que ia até a localidade de Salgadinha, onde recolhia passageiros e mercadorias, e voltava para pegar os moradores do lugar. Os passageiros idosos eram acomodados na boleia
O senhor Virgílio Nogueira, dono do armazém frequentado por pessoas do Curral Queimado, era proprietário de uma fazenda nas proximidades. Inicialmente, de Jipe, depois dirigindo uma Rural, o comerciante, constantemente, passava dirigindo e nunca negava uma carona. Quando adoecia alguém, era só avisar que ele socorria de imediato. As mulheres grávidas quando tinham complicações no parto, era ele quem ia pegar. Dependendo do caso, levava para a cidade.
Em 1960, Dona, esposa de José de Pedrinho, estava grávida e teve complicação no parto. Virgílio foi avisado e atendeu imediatamente. Infelizmente, já encontrou-a sem vida. A criança nasceu, mas não sobreviveu. Alzira, esposa de Dedé, estava grávida de gêmeos, uma criança nasceu e a outra, já no quinto dia, ainda não havia nascido. Por cauda da gravidade, Cansadinho pediu ajuda à Virgílio, que arrumou um médico e uma enfermeira e se deslocaram para o socorro. Já próximo, na Veredinha, tiveram notícia que a criança havia nascido, mas continuaram a viagem e fizeram o atendimento.
Três filhas de Cansadinho tiveram complicação na gravidez. Justina comemorava a festa do padroeiro quando teve um aborto e ficou muito doente. Virgílio estava presente e a levou, às pressas, para o hospital. Elisa, depois de um aborto, ficou tão mal que, na falta de condições de levá-la no carro, voltou para Petrolina e mandou uma ambulância. Eliosina precisou ser socorrida no parto. O comerciante levou uma parteira do Hospital Dom Malan, a senhora Romilda, mas não resolveu o problema e levaram-na para ser atendida na maternidade de Petrolina.
Com a convivência que Virgílio tinha com as pessoas do lugar, muitas famílias o convidava para batizar seus filhos. Em uma determinada época da Semana Santa, houve uma queima de Judas, ao lado da Catedral, onde foi lido o testamento de Judas. Para o senhor Virgílio foi deixada uma cobrança.
O senhor Virgílio Nogueira
Tem um ninho de Cancão
Me comprou uma Rural
E não deu nenhum tostão.

Com o aumento da população, houve a construção da Maternidade em 1966. A partir dessa estrutura, as pessoas passaram a ter atendimento médico mensalmente. A inauguração dessa unidade de saúde, contou com a participação da dedicada professora Helena, que envolvia os seus alunos nos eventos locais. Esses estudantes declamaram poesias, fizeram apresentações de danças e músicas e discursaram demonstrando gratidão àqueles que trabalharam pelo crescimento da comunidade. Um representante da família Coelho, ouviu emocionado, uma música cantada pelos alunos.
O Curral Queimado hoje está em festa
E todos nós repletos de emoção
Apresentando à família Souza Coelho
Nossa homenagem de pleito e gratidão
Nossos aplausos
O povo amado
Nós, os alunos
Da Escola Curral Queimado.

A primeira enfermeira da maternidade chamava-se Ananias, substituída, anos depois, por Valdelice, que fixou residência juntamente com seu esposo, José Campos, escrivão de um cartório existente no lugar durante muito tempo.

CASA DE FARINHA
Nos primeiros anos, a fabricação de farinha era um trabalho duro e pouco produtivo. Os meios usados eram precários, o espaço era pequeno e desconfortável, possuindo um único forno. A mandioca era ralada por meio da força humana. Uma pareia de homens fazia movimentar um rolo de madeira cravado de serras onde era feita a moagem e outra pessoa colocava a raiz para ser triturada. A atividade era perigosa e algumas vezes chegavam a ralar os dedos, houve um caso de perda de parte de um desses membros. Com o passar dos tempos, adquiriram um pequeno motor. Foi um progresso no sentido de diminuir o desgaste físico, porém continuando a mesma forma de moagem e o risco de acidente.
A construção da Casa de Farinha, em 1968, facilitou muito a vida dos lavradores, tornando a atividade menos cansativa e mais produtiva. Tudo melhorou, o trabalho tornou-se prazeroso, pois contavam com três fornos, um motor bem mais moderno e um moinho. Bastava jogar a mandioca e era triturada, facilitando ainda mais a vida das pessoas.
Cansadinho foi nomeado pelo prefeito José de Souza Coelho, em 9 de outubro de 1968, para exercer o cargo de Zelador da Casa de Farinha do Curral Queimado. O agricultor ficou muito grato, pois em tempos difíceis aquele salário foi de extrema importância. A edificação era, sobretudo, um ambiente laboral, mas também, local de lazer onde todos se encontravam produzindo farinha, tapioca e beiju. As crianças se divertiam, fazendo de tudo uma brincadeira. Os familiares residentes na cidade aumentavam o período de visitas na época da farinhada. Em determinada ocasião o senhor José de Souza Coelho compareceu com toda a família, trazendo manteiga da terra para saborear beiju quentinho.
Em maio de 1974, o casal Cansadinho e Maria comemoraram bodas de ouro com a celebração de uma missa.

LAZER
Qualquer movimento que juntasse o povo era considerado lazer. As missas, rezas, procissões, debulha de feijão, partidas de futebol, festa de casamento com comida farta e sanfoneiro animado, e até mesmo o trabalho na farinhada. Era só alegria. Muita gente comparecia à Festa do Padroeiro São Judas Tadeu, no dia 28 de outubro, que tinha celebração da missa e leilão. A comemoração transformava-se em grande momento de encontros.
Embora distantes, as pessoas não esqueceram a festa de São Pedro, padroeiro do Riacho do Sobrado, no dia 29 de junho. Todos os anos, saiam cedo da madrugada à pé ou em jumentos, para participar dos festejos, e retornavam à tardezinha, no final da celebração.
As crianças se divertiam muito. As crianças menores gostavam de brincar de se esconder, pular corda, boneca de pano, ciranda cirandinha, cabra cega, passe o anel, boca de forno, balanço de cordas, carrinho de lata. As maiores jogavam peteca, dama, caçavam passarinhos, jogavam futebol. Eram partidas animadas e até havia quem as narrassem em forma poética, conforme os versos Futebol Curral Queimado, escritos por Lourival Claudino.

O goleiro de domingo
Causa admiração
E se continuar assim
Nós seremos campeão.

Qualquer time que vier
Jogar no Curral Queimado
Tem um beck, Seu Dedé
Que joga desassombrado.

Temos outro lateral
Que eu vou dizer quem é
Edvaldo e Everaldo
Seu Viano e o Pelé.

Chiquito é muito pequeno
Porém dá muito trabalho
Correndo lá pelo centro
Não pode haver atrapalho.

Seu Bau correndo parece
Que é movido a vapor
A bola sobra para ele
Daí é que surge o gol.

Aníbal, este é meu beck
Zagueiro de confiança
Por dura que seja a partida
Ainda tem esperança.

Este eu vou dizer
Antes que saia da mente
É um centroavante forte
O nosso amigo Vicente.

E o autor desses versos
Não é mestre nem doutor
Quando está jogando bola
Só pensa em fazer gol.

A família do senhor Manoel Francisco de Araújo, do Curral Queimado, doou para o Museu do Sertão de Petrolina, um rádio, um quartinheiro, um par de alforges, um batedor de nata e uma cabaça para chumbo, objetos que retratam bem a vida do povo sertanejo, seus costumes e suas técnicas de trabalho. Foi uma boa aquisição para aquela instituição que tenta preservar a história do homem sertanejo, mostrando o meio ambiente, o artesanato, a moradia rural, os valores da economia, da política, da religião e da sociedade sertaneja como um todo.

A Câmara Municipal de Petrolina aprovou por unanimidade, na reunião realizada no dia 7 de julho de 1977, o voto de profundo pesar por motivo do falecimento do senhor Manoel Francisco de Araújo.

Em 1976, foi desativado o motor a diesel que garantia a iluminação de alguns postes dispostos nas imediações da escola, capela, maternidade e Casa de Farinha, desde 1960. A energia que funcionava, entre dezoito e vinte e uma horas, passou a ser gerada em Paulo Afonso-BA.

Vários moradores iam para São Paulo. Certa vez, Aurora recebeu a seguinte correspondência:

São Paulo, 17/12/1980.
Minha querida mamãe,
Primeiro peço a minha benção, para que eu seja feliz. Escrevo-lhe esta cartinha para desejar um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. Eu e todos de casa ficamos com saúde, graças ao meu bom Deus.
Mamãe, eu mando um presente para a senhora e mais quinhentos cruzeiros. Segue também um presente para a Morena. Espero que estejam bem!
Nada mais. Lembranças para todos daí.
E no mais, saudades do seu filho que sou.
Pedro Francisco de Souza Neto.

O Curral Queimado é conhecido como Terra da Família Cancão ou Comunidade da família dos “Cancão”. O pássaro Cancão é considerado a voz da caatinga. Todos de lá tinha algum grau de parentesco. Uns diziam que o apelido era por causa do nariz afilado, característica comum em seus moradores.

Após o falecimento dos moradores mais antigos, o Curral Queimado ficou, praticamente, abandonado. Os jovens mudaram para a cidade em busca de outros meios de vida ou para estudar. Isso se deu, mais ou menos, entre 1984 e 1995, ano que colocaram água encanada. Com a novidade, muitas casas foram construídas e o lugar voltou a ser bem habitado, principalmente, nos fins de semana.